quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Blogs jornalísticos e o diploma: A interatividade prometida



Anos antes de o diploma de jornalista ter sido tirado de cena no Brasil, Ricardo Noblat garantiu, “blog é informação instantânea com possibilidade de aprofundamento”

A partir do sucesso da criação de seu blog jornalístico, Ricardo Noblat previu a discussão sobre o diploma do jornalista, cuja credibilidade diminuiu mais há pouco tempo.

Mediados pelo Jornalista Claudinei Ferreira, Noblat e o jornalista Guilherme Kujavsky debateram, há 4 anos, na Rede Minas, o surgimento da internet e suas influências na comunicação. Afirmando que a mídia impressa teria de passar por uma “intensa transformação”, Noblat colocou em questão o monopólio da mídia convencional – o molde agora é dos internautas, que acabam por “redefinir o conteúdo” – levantando vantagens da internet na democratização da informação, inclusive da perda do controle em uma tempestade de novidades; “a internet dá trabalho principalmente para os países de regimes totalitários”, acrescenta.

Para Noblat, o jornalista deve ser partidário da população, mas nunca consegue ser isento de opinião. Ele iniciou o blog em Março de 2004, sem muita expectativa ou organização, apenas “despejando as notícias”. Impressionado com a audiência, viu o quanto subestimava esse tipo de mídia e agora vê quanto lhe dá trabalho: telefone o dia inteiro, comentários – discordâncias, críticas, apoio, a falta tempo e as expectativa de ter notícias o tempo todo. E o blogueiro ainda dá dicas “é mais difícil diluir um erro cometido na internet, deve-se ser rigoroso na apuração”.

No Brasil, a diluição não é fácil, há uma grande quantidade de internautas. Quando o blog é muito acessado, a tendência a cair também é maior, dependendo do erro. Segundo Noblat, isso acontece também porque é mais fácil fazer críticas, os leitores podem descobrir erros pelos comentários alheios, anônimos com pseudônimos, e podem perder a confiabilidade no que estão lendo. Além disso, há o fato de poderem encontrar as mesmas informações em vários outros sites, portais e blogs.

Um dos eleitos no ranking de “33 mentes brilhantes de 2009”, Marcelo Tas garantiu que com a chegada do Twitter, por exemplo, não há mais a briga pelo “furo”, e sim pelo melhor conteúdo.

Assim como o do Marcelo Tas e vários outros jornalistas que viram saída nas novas redes - muitos não pela falta, mas pelo excesso de talento - o Blog do Noblat mostra que a interatividade da mídia digital promete balançar a mídia tradicional.


Ana Luíza de Figueiredo Rodrigues

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